{"id":923,"date":"2016-02-25T13:18:21","date_gmt":"2016-02-25T13:18:21","guid":{"rendered":"http:\/\/profandreluisbelini.com.br\/?p=923"},"modified":"2020-07-02T20:21:03","modified_gmt":"2020-07-02T23:21:03","slug":"ser-ou-nao-ser-eis-a-questao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contoseprosas.com.br\/?p=923","title":{"rendered":"\u201cSer ou N\u00e3o Ser, Eis a Quest\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\"><em>&#8220;To be or not to be, that is the question&#8221;<\/em>, talvez essa seja uma das frases mais traduzidas da hist\u00f3ria e uma das mais conhecidas, mesmo entre aqueles que nunca leram o dramaturgo, poeta e escritor ingl\u00eas, William Shakespeare, que a escreveu na \u00a0trag\u00e9dia Hamlet, publicada no ano de 1603.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Essa frase abre as portas para muitos questionamentos e come\u00e7o os meus exatamente com ela: ser ou n\u00e3o ser, eis a quest\u00e3o!<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Mas ser o que? Acredito que esse questionamento j\u00e1 passou pela cabe\u00e7a de muitos, j\u00e1 tirou muitas noites de sono e continuar\u00e1 a ser assim, talvez por toda a eternidade. O que somos? O que n\u00e3o somos? Somos o que gostar\u00edamos de ser ou somos aquilo que os outros esperam que sejamos? De tudo aquilo que acreditamos, sentimos e agimos, o que \u00e9 verdadeiramente nosso e o que s\u00e3o apenas conhecimentos e informa\u00e7\u00f5es que replicamos, muitas vezes sem nem saber o motivo? Sim, esse meu texto come\u00e7ou com uma r\u00e9plica, portanto, n\u00e3o estou fora desse questionamento, ali\u00e1s, como j\u00e1 ressaltei na introdu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pretendo responder a d\u00favida alguma, pelo contr\u00e1rio, apenas suscitar mais algumas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">O que somos depende muito daquilo em que estamos inseridos, daquilo que os outros esperam que sejamos. O que eu sou, no lugar onde me encontro, certamente n\u00e3o seria o que eu sou se tivesse nascido em outro pa\u00eds, com outra cultura, portanto, partindo desse princ\u00edpio, posso dizer que eu sou o produto do meio onde me encontro, mas isso seria correto? Em partes acredito que sim, em outras n\u00e3o, absolutamente n\u00e3o, pois ainda que herdemos boa parte da nossa personalidade e racionalidade do meio onde estamos, acredito que temos algo essencialmente nosso, algo que nos pertence e a mais ningu\u00e9m pertencer\u00e1 e, talvez, esse \u201calgo\u201d seja a \u00fanica coisa que realmente somos e\u00a0 a \u00fanica coisa que realmente nos perten\u00e7a. O restante pode ser simplesmente uma somat\u00f3ria de fatos, sentimentos, culturas e a\u00e7\u00f5es que vamos acumulando, interiorizando e assimilando e que podem ou n\u00e3o ser integrados \u00e0 nossa ess\u00eancia, prova disso s\u00e3o os comportamentos com que convivemos todos os dias e, nem por isso, interiorizamos\u00a0em nosso ser.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Mas voltando ao cerne da quest\u00e3o: ser ou n\u00e3o ser? Todos esperam que sejamos um monte de coisas, como por exemplo, boas pessoas, bons profissionais, bons pais, bons maridos, boas esposas, bons funcion\u00e1rios, mas j\u00e1 reparou que nunca somos bons o suficiente? Pelo menos, n\u00e3o na vis\u00e3o do outro. Podemos ser o melhor que conseguimos ser, mas sempre algu\u00e9m vai se decepcionar porque esperava mais de n\u00f3s. Realmente n\u00e3o somos ou somos quem podemos ser, como j\u00e1 diz a letra da m\u00fasica. Particularmente, acredito que somos quem podemos ser, somos o melhor que podemos ser e o meu melhor nem sempre \u00e9 o melhor do outro e vice versa, mas isso, em absoluto, quer dizer que o meu melhor seja inferior, apenas \u00e9 o que consigo no momento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Acredito que boa parte dos problemas da atual sociedade adv\u00e9m da necessidade de querermos, o tempo todo, que o outro seja aquilo que n\u00e3o somos, aquilo que nem n\u00f3s mesmos conseguimos ser e isso, por si s\u00f3, j\u00e1 constitui uma s\u00e9rie de erros, primeiramente porque n\u00e3o tenho que pautar os outros por mim e, segundo, porque se nem eu consigo, por qual motivo o outro teria que conseguir? Por eu achar que ele \u00e9 melhor do que eu mesmo sou? \u00c9 uma carga muito grande que jogamos nos ombros alheios e o pior \u00e9 que eu, voc\u00ea e tantos outros, vamos aceitando essas cargas que n\u00e3o s\u00e3o nossas e isso vai gerando um grau de insatisfa\u00e7\u00e3o absurdo, um grau de insanidade incomensur\u00e1vel e, talvez seja isso que vemos refletido na atual sociedade, cada vez mais desequilibrada e caminhando para o caos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Ser ou n\u00e3o ser \u00e9 a quest\u00e3o que nos pauta todos os dias, acordamos j\u00e1 pensando se seremos ou n\u00e3o um monte de coisas e vamos dormir pensando se, no outro dia, seremos isso ou aquilo, mas sempre estamos nos questionando o eterno ser ou n\u00e3o ser. A sociedade \u00e9 cruel, ela cobra que sejamos tantas coisas e ningu\u00e9m pergunta se voc\u00ea quer ou n\u00e3o ser aquilo e isso deveria ser constitu\u00eddo em grave crime contra o esp\u00edrito livre que temos! Ut\u00f3pico? Certamente, mas nem por isso menos desej\u00e1vel. Eu, por exemplo, n\u00e3o me vejo enquadrado num monte de conven\u00e7\u00f5es sociais, as realizo, \u00e9 fato, mas por mera necessidade de conv\u00edvio social, pois isso me agride a alma, vai contra aquilo que eu sou e penso que \u00e9 nesse momento que come\u00e7amos a distinguir aquilo que realmente somos daquilo que querem que sejamos. Eu sou aquilo com o qual me identifico, eu sou aquilo que me d\u00e1 prazer, eu sou aquilo pelo qual eu acordaria cedo todos os dias, em todos os dias da semana, sem reclamar, incluindo s\u00e1bados, domingos e feriados, eu sou aquilo que me gera paz interior e que me acalma, eu sou aquilo que fa\u00e7o sem precisar tomar rem\u00e9dios para me entorpecer, eu sou aquilo que me faz livre. O restante? S\u00e3o meras conven\u00e7\u00f5es sociais que me obrigam a aceitar coisas que nunca fariam parte da minha pessoa, que ditam regras que n\u00e3o cabem nos meus padr\u00f5es e sentimentos, que violam meu direito de ser. Veja s\u00f3, talvez tenhamos \u201cdescoberto\u201d a fonte de todas as doen\u00e7as, tanto f\u00edsicas quanto ps\u00edquicas: a viola\u00e7\u00e3o da nossa personalidade, a viola\u00e7\u00e3o do nosso ser.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Sinceramente, acredito que todos somos bons em ess\u00eancia, mas as circunst\u00e2ncias sociais v\u00e3o nos influenciando de tal forma que verdadeiros monstros s\u00e3o criados. O mais ir\u00f4nico? A mesma sociedade que cria o monstro, depois, com a maior naturalidade, o rejeita e o marginaliza, alegando que aquele monstro n\u00e3o se enquadra nos padr\u00f5es sociais! N\u00e3o \u00e9 ir\u00f4nico? A pessoa se violenta e se molda para assumir uma personalidade que n\u00e3o lhe pertence, assume papeis que n\u00e3o s\u00e3o seus e tudo isso para se adaptar a um padr\u00e3o, que \u00e9 claro, vai destruir\u00a0sua personalidade de tal forma que ela se tornar\u00e1 irreconhec\u00edvel e, depois, como se n\u00e3o tivesse culpa alguma, essa mesma sociedade a ignora, com a aquela naturalidade: \u201cn\u00e3o tenho nada a ver com isso\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">O outro lado da moeda? Sim, ele existe. Essa sociedade somos n\u00f3s. Na mesma medida com que somos violentados, tamb\u00e9m violentamos e, com isso, geramos um ciclo ininterrupto de insanidade, de loucura coletiva, justificamos nossas falhas com as viol\u00eancias que recebemos e, como troco, tamb\u00e9m violentamos outros, gerando uma equa\u00e7\u00e3o infinita. \u00c9 muito comum ouvirmos as pessoas falando do pa\u00eds onde vivem, da sociedade, como se fossem seres \u00e0 parte da cria\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o somos! Somos o pa\u00eds onde vivemos, somos a sociedade em que convivemos e, se ela n\u00e3o est\u00e1 bem \u00e9 porque n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o estamos e \u00e9 preciso deixar a hipocrisia de lado e abrir os olhos, enxergar o que esteve o tempo todo escancarado \u00e0 nossa frente e que nunca tivemos a coragem de enfrentar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Ser ou n\u00e3o ser, eis a quest\u00e3o. Por vezes fico tentando entrar na cabe\u00e7a desses grandes pensadores que a humanidade j\u00e1 teve, tentando entender o que lhes passava na mente. Pode ser um princ\u00edpio de loucura ou fuga da realidade, mas em algumas situa\u00e7\u00f5es tenho a impress\u00e3o de conseguir, de sentir a ang\u00fastia com que trataram o tema, isso h\u00e1 s\u00e9culos, mil\u00eanios, mas essa ang\u00fastia parece ainda ecoar pelo universo e, de alguma maneira, me sintonizo com ela. Somos o que? Sinceramente, tenho apenas vagas conjecturas, no\u00e7\u00f5es muito rudimentares do que somos, s\u00f3 tenho certeza de que n\u00e3o sou a pessoa como a qual me apresento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Se estou mentindo? Depende do ponto de vista. Estou assumindo muitos papeis que esperam de mim, assim como de voc\u00ea e de todos os outros habitantes desse mundo, que certamente n\u00e3o representa o que cada um de n\u00f3s \u00e9, mas sim, somente o que temos a fazer nesse momento, ou aquilo que esperam que fa\u00e7amos ou sejamos. Atualmente estou representando um papel, que nessa vida, por raz\u00f5es que desconhe\u00e7o, foi nascer no Brasil, estudar tecnologia e, por paix\u00e3o, assumir o papel de professor, que talvez, de todas as minhas obriga\u00e7\u00f5es profissionais, seja a \u00fanica que realmente sou. Se fazer tudo isso com a consci\u00eancia de que n\u00e3o sou o que estou fazendo \u00e9 mentir, ent\u00e3o, a resposta para a pergunta inicial \u00e9 sim, sou um mentiroso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Muitas vezes sabemos exatamente o que n\u00e3o somos, mas saber o que realmente somos n\u00e3o \u00e9 uma tarefa simples, pelo contr\u00e1rio, venho buscando essa resposta h\u00e1 muito tempo e talvez nunca a encontre, tenho alguns ind\u00edcios, alguns nortes, mas acredito que ser ou n\u00e3o ser continuar\u00e1 sendo a eterna indaga\u00e7\u00e3o da humanidade e, \u00e9 claro, a minha tamb\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">E voc\u00ea, j\u00e1 se questionou sobre isso? Ser ou n\u00e3o ser, eis a quest\u00e3o para voc\u00ea tamb\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;To be or not to be, that is the question&#8221;, talvez essa seja uma das frases mais traduzidas da hist\u00f3ria e uma das mais conhecidas, mesmo entre aqueles que nunca leram o dramaturgo, poeta e escritor ingl\u00eas, William Shakespeare, que a escreveu na \u00a0trag\u00e9dia Hamlet, publicada no ano de 1603. 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