{"id":1318,"date":"2016-09-06T00:17:36","date_gmt":"2016-09-06T00:17:36","guid":{"rendered":"http:\/\/profandreluisbelini.com.br\/?p=1318"},"modified":"2020-07-02T19:06:50","modified_gmt":"2020-07-02T22:06:50","slug":"o-que-nos-toca-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contoseprosas.com.br\/?p=1318","title":{"rendered":"O que nos toca a alma?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Qual foi a pior<\/span> <span style=\"color: #008000;\">dor que voc\u00ea j\u00e1 teve? Tenho certeza de que uma parcela significativa das pessoas responder\u00e1 que a pior dor que j\u00e1 tiveram n\u00e3o \u00e9 f\u00edsica, mas sim, alguma dor ligada a alma, seja a dor da perda de um ente querido, o sofrimento por um sentimento n\u00e3o correspondido e assim por diante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Minhas piores dores tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o f\u00edsicas, embora tenha muitas. Convivo com as dores h\u00e1 anos e, acreditem, n\u00e3o \u00e9 uma conviv\u00eancia pac\u00edfica. Em algumas \u00e9pocas at\u00e9 que entramos num acordo e habitamos bem o mesmo corpo, mas em outras parecemos vizinhos em guerra e fica um tentando expulsar o outro. At\u00e9 o momento tenho ganhado, mas que saem umas brigas feias, saem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Por outro lado, as dores s\u00e3o sinais, sinais de que h\u00e1 algo errado em n\u00f3s, algo que precisamos compreender e mudar ou simplesmente aceitar, afinal, como em toda guerra, nunca vencemos todas as batalhas.\u00a0 Existem sentimentos que trazemos em nossas almas e que s\u00e3o transgeracionais, muitas vezes sequer sabemos porque os temos, mas l\u00e1 est\u00e3o eles, nossos eternos companheiros de jornada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Passei boa parte da minha vida tentando mudar isso, entender porque tenho alguns sentimentos, aparentemente sem qualquer explica\u00e7\u00e3o, sentimentos que teimosamente est\u00e3o presentes em minha vida, como a tristeza, por exemplo, mesmo quando tudo aparentemente vai bem. A explica\u00e7\u00e3o para isso pode transcender aos nossos sentidos, a nossa compreens\u00e3o e, portanto, tamb\u00e9m a nossa explica\u00e7\u00e3o. Temos essa tend\u00eancia, tudo tem que ser explicado, tudo tem que ter um motivo l\u00f3gico e racional, mas nem sempre isso acontece, nem sempre encontramos esse fator desencadeante, seja porque ele realmente n\u00e3o existe em n\u00f3s, sendo algo que herdamos dos nossos ancestrais, fato que a psicologia classifica como o transgeracional, ou seja, aquilo que vai passando, de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o, seja porque a realidade seria demasiadamente insuport\u00e1vel e, como medida de defesa e autoprote\u00e7\u00e3o, bloqueamos essa racionalidade que tanto buscamos, mas que simplesmente poderia nos destruir.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Antes da dor chegar ao corpo ela j\u00e1 passou pela alma, que j\u00e1 deu sinais, por vezes sutis e que, por serem sutis, ignoramos. Por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 como ignorar para sempre e chega uma hora em que essa dor se materializa e o corpo grita, faz voc\u00ea parar e encontrar respostas. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e n\u00e3o se iluda, n\u00e3o ser\u00e1 um livrinho de auto ajuda que resolver\u00e1 seu problema, nem uma enciclop\u00e9dia de medicina alternativa, com as suas causas e efeitos para qualquer sintoma, quem dera as coisas fossem assim t\u00e3o simplistas. Isso s\u00f3 resolve um problema, que \u00e9 a falta de grana do autor, que certamente ficar\u00e1 rico, mas seus problemas, bem, seus problemas ir\u00e3o permanecer at\u00e9 que voc\u00ea mesmo tome ci\u00eancia do que est\u00e1 causando suas dores e, diante disso, mude o que for poss\u00edvel mudar ou aceite aquilo que \u00e9 imut\u00e1vel, pois eis uma outra grande verdade e que demoramos para aceitar: n\u00e3o temos o poder de mudar tudo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Temos que lutar, temos que nos esfor\u00e7ar, fazer o melhor que podemos, mas chega um ponto em que nos encontramos limitados, limitados em conhecimento, limitados em emo\u00e7\u00f5es, limitados em nossa capacidade de a\u00e7\u00e3o e isso tamb\u00e9m d\u00f3i muito, pois constatamos que n\u00e3o somos deuses, como algumas vezes nos supomos. Somos humanos, demasiadamente humanos, como j\u00e1 disse Nietzsche, portanto, somos limitados e aprender a conviver com isso pode ser libertador.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Normalmente quando algo nos atinge \u00e9 porque nos identificamos com aquilo, algo em n\u00f3s encontrou um ponto de identifica\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o, por pior que ela possa parecer, mas novamente s\u00e3o as armadilhas mentais entrando em a\u00e7\u00e3o. O adulto indignado com todas as injusti\u00e7as do mundo pode ser o reflexo de uma crian\u00e7a que teve o papel cruel de tentar salvar a m\u00e3e ou pai de algo que ela considerava injusto e, n\u00e3o tendo conseguido isso, assumiu a culpa por ter deixado aquele a quem amava sofrer. Essa culpa passeia pelo inconsciente e, por vezes, at\u00e9 adormece, mas ao menor gatilho mental, volta com for\u00e7a total. S\u00e3o sentimentos primitivos, remontam \u00e0s nossas origens e, por isso, s\u00e3o t\u00e3o dif\u00edceis de serem identificados e aceitados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">S\u00e3o em pontos como esses que as dores chegam, elas podem atingir n\u00edveis muito fortes, pois as causas tamb\u00e9m s\u00e3o incisivas. Precisamos aprender a diferenciar dores musculares de dores profundas. As primeiras, podem ser facilmente curadas com analg\u00e9sicos, j\u00e1 as demais, nem morfina d\u00e1 jeito. Infelizmente n\u00e3o existe uma receita pronta, uma f\u00f3rmula, uma m\u00e1gica, cada um ter\u00e1 que encontrar em si mesmo a melhor resposta, o melhor rem\u00e9dio, que pode estar nos lugares mais inusitados, mas certamente estar\u00e1 naquilo que te toca a alma. Tamb\u00e9m ainda n\u00e3o encontrei minhas respostas, para algumas sim, para outras, ainda nem fa\u00e7o ideia e talvez nunca as encontre, mas em qualquer desses casos, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma, o que farei com isso? N\u00e3o basta encontrar, \u00e9 preciso saber o que fazer com o achado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Tamb\u00e9m temos outra grande capacidade que \u00e9 demasiadamente humana, que \u00e9 a capacidade de transformar. As piores dores podem ser transformadas em lindas poesias, em quadros memor\u00e1veis, em cl\u00e1ssicos liter\u00e1rios, em descobertas cient\u00edficas que trar\u00e3o a cura a outros. Temos essa capacidade, podemos demorar um pouco para encontrar a forma como nos curaremos, mas temos essa capacidade de transforma\u00e7\u00e3o. Mas, e se n\u00e3o transformarmos isso em algo, o que aconteceria? Bem, nesse caso ele se transformaria num problema transgeracional e, de alguma forma, atingiria nossos descendentes, assim como muitos hoje j\u00e1 nos atingem. \u00a0Responder a essa curta, por\u00e9m muito complexa pergunta, pode ser a chave da nossa cura: o que nos toca a alma?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #008000;\">Atrav\u00e9s daquilo que toca nossa alma vamos conseguir transformar sentimentos e emo\u00e7\u00f5es, talvez n\u00e3o os resolvendo, mas os resignificando e com isso, dando um novo destino a nossa pr\u00f3pria vida, curando nossa alma e minimizando nossas dores f\u00edsicas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual foi a pior dor que voc\u00ea j\u00e1 teve? 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